Há cerca de 300 anos, no início do século XVIII, os cafés já eram locais emblemáticos da vida social e intelectual. Muito diferentes dos coffee shops modernos que conhecemos hoje, eles ainda desempenhavam um papel igualmente central na sociedade. As pessoas iam lá para beber café, claro, mas também para conversar, trocar ideias, ler jornais e debater política ou filosofia.
Mergulhar no l’universo dos cafés d’há três séculos, c’é descobrir lugares simples e animados, onde se misturavam l’aroma do café recém‑preparado e l’efervescência das conversas.
Lugares simples mas acolhedores
Ao contrário dos cafés contemporâneos com design trabalhado, os cafés do século XVIII eram frequentemente estabelecimentos modestos. O mobiliário era geralmente composto de mesas de madeira, de bancos ou de cadeiras simples, às vezes gastas pelo tempo.
As paredes podiam ser decoradas com painéis de madeira ou simplesmente brancas com cal. L’iluminação vinha de velas ou de lâmpadas a óleo, que difundiam uma luz quente mas bastante fraca. L’atmosfera era frequentemente enfumaçada, pois os clientes fumavam cachimbo ou tabaco.
O chão, frequentemente em pedra ou madeira, podia ser coberto de serragem para absorver os líquidos derramados e facilitar a limpeza. Tudo isso criava uma atmosfera rústica mas aconchegante.
Apesar da sua simplicidade, esses lugares eram muito animados. Ouviam-se risos, discussões apaixonadas e o tilintar das xícaras e colheres.
Um café muito diferente de hoje
O café consumido há 300 anos não era preparado como hoje. As máquinas de espresso obviamente não existiam, e a preparação baseava‑se em métodos muito mais rudimentares.
O café era frequentemente fervido em grandes cafeteiras ou preparado em potes de metal. Em algumas regiões, utilizavam métodos semelhantes ao que hoje chamamos de café turco, com café moído muito fino.
A bebida era geralmente servida preta e muito forte. O açúcar começava a se espalhar na Europa, mas continuava sendo um produto caro. Quanto ao leite, era raramente adicionado.
As xícaras eram menores que as canecas modernas. Em alguns cafés, serviam até mesmo café em tigelas ou copos de estanho.
Lugares de encontro e debate

A’uma das características mais marcantes dos cafés de’antigamente era o seu papel social. Eles eram bem mais que simples lugares onde beber uma bebida quente.
Em Paris, Londres ou Viena, os cafés eram locais de encontro privilegiados para intelectuais, escritores, comerciantes e, às vezes, políticos. As pessoas iam lá discutir as últimas notícias, comentar os eventos políticos ou debater filosofia.
Em Londres, alguns cafés eram até apelidados “penny universities”. Pelo preço de uma chávena de café — frequentemente um penny — podia‑se aceder a discussões apaixonantes e encontrar pessoas cultivadas.
Esses estabelecimentos participavam assim na difusão das ideias e na circulação de l’informação.
Os jornais e l’informação
Os cafés também desempenhavam um papel importante na difusão de l’informação. Muitos d’eles disponibilizavam jornais que os clientes podiam consultar.
Numa época em que poucas pessoas podiam s’inscrever em publicações, os cafés tornavam‑se locais onde l’on vinha ler as notícias do dia. Os jornais eram às vezes pendurados em suportes de madeira ou suspensos para evitar que qu’ils desapareçam.
Os clientes liam em voz alta alguns artigos, o que alimentava depois as discussões na sala.
Assim, o café tornava‑se um verdadeiro centro de troca d’ideias e d’informações.
Uma clientela predominantemente masculina
Também é necessário lembrar que há 300 anos, a frequência dos cafés era amplamente masculina. Em muitas cidades europeias, as mulheres raramente estavam presentes nesses estabelecimentos.
Os cafés eram considerados como locais de sociabilidade masculina, onde se reuniam comerciantes, artesãos, escritores ou estudantes. As discussões podiam ser animadas, às vezes barulhentas, e a atmosfera bastante livre.
Só muito mais tarde os cafés se tornarão locais abertos a todos, como os conhecemos hoje.
Cafés especializados
Com o passar do tempo, alguns cafés desenvolveram clientelas específicas.
Em Londres, por exemplo, alguns estabelecimentos eram frequentados principalmente por comerciantes ou seguradores. D’outros atraíam mais escritores ou cientistas.
Podia quase adivinhar o tipo de clientela d’um café simplesmente ao atravessar sua porta. Alguns eram conhecidos pelos seus debates intelectuais, d’outros pelas suas discussões comerciais.
Estes cafés às vezes até contribuíram para o nascimento de instituições importantes. Por exemplo, Lloyd’s of London, hoje famoso mercado de seguros, encontra sua origem num café londrino do XVIIᵉ século.
Uma bebida ainda exótica
Trezentos anos atrás, o café ainda era uma bebida relativamente nova na Europa. Introduzido desde o Oriente Médio no século XVII, rapidamente ganhou popularidade, mas conservava uma aura de exotismo.
Os grãos vinham principalmente do Iémen ou das primeiras plantações coloniais. Seu transporte até’a Europa era longo e caro.
Apesar disso, a demanda não deixava de de’aumentar. O café era percebido como uma bebida estimulante, que ajudava a permanecer acordado e a refletir. Ao contrário da cerveja ou do vinho, muito consumidos na’época, permitia manter a mente clara.
É d’aliás por essa razão que os cafés se tornaram locais privilegiados para discussões intelectuais.
Um ambiente animado e às vezes caótico
Os cafés d’há 300 anos eram frequentemente muito animados. As conversas podiam ser barulhentas, e l’ambiente às vezes caótico.
Alguns estabelecimentos recebiam músicos ou jogadores d’xadrez. D’outros eram frequentados por jogadores de cartas ou apostadores.
A mistura dos cheiros — café, tabaco, cera de vela — criava uma atmosfera muito particular.
Para um viajante de l’época, entrar em um café era uma experiência sensorial intensa, muito diferente de l’ambiente calmo e de design de muitos estabelecimentos atuais.
L’ancestral dos nossos coffee shops
Mesmo que sua aparência e seus usos tenham evoluído, os cafés d’aujourd’hui permanecem os herdeiros diretos desses estabelecimentos d’il há três séculos.
O princípio continua o mesmo : um lugar onde l’on se reúne ao redor d’une xícara de café, onde l’on conversa, trabalha ou se relaxa.
Hoje, os cafés oferecem uma variedade de bebidas, métodos de extração sofisticados e ambientes cuidadosamente estudados. Mas, no fundo, seu papel social permanece muito próximo ao dos cafés do século XVIII.
Esses locais continuam a ser espaços de encontro, de criatividade e de troca.
Uma tradição que atravessa os séculos
Há mais de 300 anos, o café acompanha os momentos da vida cotidiana e as grandes discussões da sociedade. Dos cafés esfumaçados do século XVIII aos coffee shops modernos, esta bebida nunca deixou de reunir as pessoas.
Se pudéssemos voltar no tempo e abrir a porta de um café do ano de 1725, ficaríamos sem dúvida surpresos com a atmosfera e a simplicidade do local. No entanto, encontraríamos imediatamente algo familiar: o prazer de compartilhar um café e uma conversa.
Uma tradição que, manifestamente, nunca saiu de moda.
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